Estabelecimento de Convergências e Multiplicidades

André Rangel 2003

 

 

Notas de Introdução

 

Este trabalho pretende contextualizar a Escola na era dos media electrónicos e das novas linguagens emergentes. Aborda as relações dinâmicas dos diferentes media com as questões de identidade, comunidade e comunicação como factores de Integração Cultural. Foca também o conceito de Educação que defendo, reflectindo sobre a função da Escola e do Professor. Por fim analiso o funcionamento real e institucional do estabelecimento de ensino no início do século XXI enumerando os pricipais factores de resistência às mudanças necessárias à sua actualização.

 

 

 

“Experience is, for me, the highest authority. The touchstone of validity is my own experience. No other person's ideas, and none of my own ideas, are as authoritative as my experience. It is to experience that I must return again and again, to discover a closer approximation to truth as it is in the process of becoming in me. “

 

Carl Rogers in On Becoming a Person

 

“Education is an admirable thing, but it is well to remember from time to time that nothing that is worth knowing can be taught.”

 

Oscar Wilde, The Critic as Artist

 

 

 

 

I . Da Sociedade do Texto à Sociedade do Hipertexto.

 

1.  “Ciberdemocracia”

 

2.       As Dinâmicas Interculturais das Tecnologias Contemporâneas.

 

2.1.       Dinâmica da Identidade e dos Media.

 

2.2.       Dinâmica da Comunicação e e dos Media.

 

3.       Impacto dos Media na Integração Cultural.

 

II. Conceito de Educação, papéis atribuidos à Escola e ao Professor.

 

III.

 

1. O Estabelecimento de ensino e as lógicas subjacentes ao seu funcionamento institucional e real.

 

2. Factores de resistência à optimização das tecnologias de informação e comunicação na Escola.

 

 

                                                                                                                                  

 

I. Da Sociedade do Texto à Sociedade do Hipertexto.

 

Convivemos numa Sociedade que evoluiu da era do Texto para a era do Contexto e no momento presente vive a era do Hipertexto[1]. A Sociedade do contexto é orientada para o passado, para o fundamento. Pelo contrário, o mundo do hipertexto, da interconectividade cria um novo vector temporal, o agora, não o futuro. Este mundo do hipertexto assenta na existência de redes de comunicação eléctrónicas que criam a nova forma de pensamento hipertextual, conectivo e não colectivo. Neste sentido, o pensamento está directamente ligado ao media que suporta a linguagem.

Os media que suportam as novas linguagens emergentes, são os media eléctrónicos (todos os que usam electricidade) considerados por Lev Manovich como New Media [2] e dos quais se destacam os computadores ligados em rede. Pessoalmente prefiro chamar-lhes só media ou media actuais pois para mim já não são novos  mas são apenas os media contemporâneos. Dada a novidade e o constante redesign dos media contemporâneos, estes precisam de ser praticados e explorados.

Pierre Levy [3] caracteriza os media electrónicos segundo quatro factores:

 

-       Compara a visibilidade presente em todos os media. Entenda-se por visibilidade a quantidade de informação que se consegue disponibilizar em cada media (textos, imagens, sons, etc)

-       Os media contemporâneos, vão além da unidireccionalidade da rádio, televisão e imprensa, sendo interactivos e mutúos, forçam a transparência na maior parte das operações.

-       Como princípio de democracia ou ciber-democracia, existirá uma maior simetria entre governantes e governados.

-       Globalismo que é diferente de Globalização, é considerado a condição em que todos os seres humanos têm consciência e conhecimento do outro. A globalização está associada à economia, somos todos seres globais, mesmo os indivíduos que não têm acesso.

 

 

1. “Ciberdemocracia”

 

Pierre Levy (1997) alerta para o perigo de uma minoria de decisores que desenham o futuro de um grande sistema global, que organizam o desenvolvimento das indústrias de comunicações e fixam as regras do jogo, na tentativa de controlar um grande sistema. As indústrias de computadores e telecomunicações exercem já sobre o futuro do mundo mais poder do que os Estados. Esta situação é inquietante e tem de ser suportada pela ética.

 

A internet e outros desenvolvimentos tecnológicos confirmam que a desigualdade diante da Escola será um problema maior no século XXI. A modernidade poderá agravar as desigualdades sociais, culturais e económicas se se mantiver como uma sociedade dual.

De acordo com Philippe Perrenoud (1998), a exclusão que se denuncia hoje, tem sempre uma face visível: desigualdade de acesso aos bens, aos serviços, às informações – e uma face oculta que é a desigual compreensão das instituições, das leis, dos mercados, das forças e das estratégias que governam o mundo. Para lutar contra a primeira forma de exclusão será preciso ir além da iniciação. Para combater a segunda será preciso simplesmente que a escola faça o seu trabalho principal: dar a todos os meios de pensar livremente. A internet acentua esta exigência como tudo o que torna o mundo complexo. Contudo seria ingenuidade acreditar que a simples introdução da internet numa escola é progresso. É necessária sim uma optimização dos recursos tecnológicos na Escola.

Em suma, os desenvolvimentos das novas tecnologias poderão acentuar as desigualdades e novas formas de exclusão social, mas, por outro lado, poderão também oferecer meios alternativos de desenvolver competências e promover o pensamento livre.

 

A Escola preocupar-se-á com isto ? Para falar com conhecimento de causa seria preciso evidentemente que a Escola não se mantivesse à margem das novas tecnologias. Mas o seu papel deverá ir muito para além de se manter a par. A Escola poderá explicar e dar utensílios intelectuais para compreender e exercer um controlo democrático. Os utensílios são as competências, os conhecimentos, a identidade às quais cada um tem direito e das quais cada indivíduo tem necessidade.

 

Assim, os media contemporâneos, poderão reforçar o multiculturalismo. Não podemos evoluir como uma civilização mas devemos sim criar um consciência em que diferentes civilizações e culturas possam coexistir praticando formas de atenção e respeito mútuos.

 

 

2. As Dinâmicas Interculturais das Tecnologias Contemporâneas.

 

O Mundo Glocal [4] pluricultural e pluricivilizacional em que vivemos, como atrás referi, exige uma correcta integração de todas a culturas e civilizações. As tecnologias de comunicação electrónicas não têm ajudado neste empreendimento, pelo contrário, têm criado efeitos de separatismo, assimilação e alienação nas massas sociais. O reforço da identidade,  do sentido de comunidade e da comunicação  são os três factores fundamentais para que ocorra a integração cultural ideal.

 

2.1. Dinâmica da Identidade e Media.

 

Diferentes media têm suportado e suportam os três factores que reforçam a integração cultural[5]:

 

-       A Literatura e a Imprensa têm actuado como suporte à identidade privada.

-       A Rádio e a Televisão têm actuado como suporte à comunidade. Efectivamente são estes media que nos dão uma consciência global, se considerarmos o número de pessoas que estão ao mesmo tempo a ver o mesmo programa.

-       As telecomunicações, a internet, os telefones móveis, os sms, etc suportam, sem dúvida alguma a comunicação.

 

2.2. Dinâmica da Comunicação e Media.

 

Diferentes media têm também alterado consideravelmente a consciência espácio-temporal do homem ao longo dos tempos.

Assim podemos afirmar que:

-       Na Oralidade acontece uma concentração máxima no espaço e no tempo, não há separação entre espaço e tempo, são um só. Se falamos com alguém à saída da escola, isso acontece apenas nesse momento e nesse local.

-       Na Literacia o espaço e o tempo expandem-se. Duas pessoas não lêm o um texto no mesmo momento nem no mesmo local.

-       A invenção do Telégrafo, que não é mais do que uma combinação da electricidade com o alfabeto codificado, provoca uma contracção do tempo e do espaço. Torna-se possível comunicar entre locais longínquos quase em tempo real.

-       Hoje, a implementação de redes de comunicação sem fios provoca uma dispersão máxima - glocalismo. O glocalismo é a possibilidade de estarmos no meio da Amazónia ou do Oceano e a qualquer momento termos o “Mundo” nas nossas mãos.

 

3. Imapacto dos Media na Integração Cultural.

 

O que acontece quando temos as dinâmicas das tecnologias associadas aos factores de identidade, comunidade e comunicação?

 

-       A Imprensa favorece a identidade ao permitir-nos apoderarmo-nos da linguagem. Quando somos capazes de ler e escrever, podemo-nos apropriar da linguagem e torná-la na nossa própria linguagem. Quando lemos ou escrevemos, acontece-nos uma interiorização de um espaço teatral que completamos com as nossas ficções e imaginação. Contudo não favorece a comunicação, toda a literacia quer-se silênciosa e é efectivamente uma recusa à comunicação. A Imprensa cria nacionalismo, foi sem dúvida o suporte das manifestações nacionalistas por toda a Europa.

-       A Rádio por outro lado cria a ditadura e expande o sinal. Suporta a comunidade mas recusa a identidade individual dos ouvintes, de facto a rádio impõe em vez de comunicar.

-       A Televisão cria a assimilação e o consumismo, favorece a comunidade mas suporta muito pouco a identidade. É-nos dada uma linguagem que nos torna consumidores e votantes amaldiçoados. Somos vítimas da linguagem que nos é imposta.

-       As redes de comunicação  fazem algo radicalmente diferente, suportam a identidade (mais não seja como arquivo) e dão-nos um controle fantástico do discurso e da linguagem.  Favorecem a comunidade, de facto criam comunidades e também favorecem a comunicação.

 

Assim, a natureza das redes de comunicação são boas notícias no caminho para a integração. Deixemos as pessoas expressarem-se, ouçamos a voz da diferença e então poderemos escolher.

 

 

II. Conceito de Educação, papéis atribuídos à Escola e ao Professor.

 

O conceito de Educação que defendo assenta num processo de aprendizagens contínuas, personalizadas, realizadas num espaço de saber flutuante e destotalizado.

Importa pois referir que a Escola não é mais uma instuição social com funções de formação e transmissão de conhecimentos mas sim um espaço relacional em que estão em foco não só alunos (individualmente ou em grupo) mas também as restantes pessoas (professores e restante comunidade no seu conceito glocal).

 

Apoiando-me nestes princípios acredito que a função do professor numa perspectiva Rogeriana se centra no acompanhamento e gestão das aprendizagens como um mediador que provoca a troca de saberes criando condições favoráveis à reinvenção de novos modelos de produção de saber. Penso que a acção do professor não é mais do que por em prática ideias emergentes de situações concretas e reais.

 

Ao longo da minha carreira docente, tenho vindo a integrar equipas de trabalho que me levaram a questionar determinadas práticas de ensino. Como necessidade de anular rotinas instituídas no sistema, procurei informar-me sobre diversos campos nas áreas que lecciono. Procurei valorizar as técnicas de ensino aprendizagem de acordo com as mudanças tecnológicas que acontecem a uma velocidade estonteante na sociedade em que vivemos. Tomei consciência que os novos processos de ensino exigem uma “alfabetização” tecnológica por parte dos professores para que possam extrair o potencial oferecido pelas novas tecnologias como recursos didácticos.

Creio que o estado de ignorância é o melhor ponto de partida para o conhecimento. Quando não compreendemos as coisas, estamos mais aptos a explorar e a compreender. Logo, é mais gratificante explorar do que atingir conclusões, é mais compensador sonhar do que saber e é mais excitante procurar do que ficar parado.

A minha experiência como professor de Tecnologia de Vídeo e de Design de Comunicação Audiovisual na Escola Especializada de Ensino Artístico – Soares dos Reis durante cinco anos, ensinou-me a procurar soluções, utilizando meios técnicos que reduzissem o esforço pedagógico e que criassem uma maior motivação dos alunos. Para tal utilizei uma diversidade de técnicas mais ou menos pertinentes de acordo com os conteúdos, a situação, a disponibilidade de recursos e as necessidades dos jovens.

Assim, construi um estatuto de autonomia com o objectivo principal de criar um clima em que a experimentação não fosse inibidora. Por outro lado, pude desenvolver um currículo a partir de actividades em que tive a liberdade de escolha sem me veicular a práticas préviamente estabelecidas.

 

Este tipo de ensino, alertou-me para o facto de que não poderia seguir uma carreira profissional linear. Apercebi-me que dada a complexidade dos saberes na actualidade, a minha carreira implicaria uma actualização e formação constantes. Assim, apostei na minha formação contínua, tendo como princípio a investigação no sentido de tornar a minha experiência como professor numa atitude interventiva.

Nesta perspectiva, encontro-me neste momento a conceber um projecto na Escola Secundária Filipa de Vilhena em que procuro preparar um grupo de alunos para a utilização das novas tecnologias que suportam as linguagens do presente, de forma a fomentar nesses alunos um sentido de autonomia, individualidade e cidadania.

É um facto, que o contexto da recepção das mensagens de qualquer media influencia os efeitos benéficos ou nocivos desse mesmo média. Assim como os alimentos que se dão aos meninos condicionam a sua saúde, a atitude perante os media durante a infância e a adolescência condicionam a postura do futuro adulto perante o Mundo. Apesar de ter uma visão positiva e optimista dos media electrónicos, é meu objectivo desfazer o mito de objectividade desses mesmos media.

Defendo contudo, que é necessário proporcionar actividades compensatórias como o desporto, a pintura, o desenho, a música, saídas em grupo, leitura, participação em acções colectivas, etc. Os jovens que se interessam por estas actividades, enriquecem-se quer no ponto de vista físico, psíquico e mental, não correndo o risco de cair na teledependência.

 

 

III. O Estabelecimento de ensino e as lógicas subjacentes ao seu funcionamento Institucional e Real.

 

Confrontando conceitos de Escola e sem pretender fazer um historial entre Escola nova e Escola tradicional, é evidente que Escola necessita de sofrer um processo de transformação e actualização contínuos. Como referi anteriormente, a Escola não deverá ser apenas um centro de difusão do saber mas deve sim estar aberta às “multiplicidades de causalidades”[6] e conhecimentos disponíveis no seu contexto glocal[7]. Neste momento ocorrem mudanças globais na forma como compreendemos a vida e o nosso papel na sociedade. Diversos problemas sociais, políticos e culturais, tomam agora uma dimensão global e obrigam a sociedade a adaptar-se a novas situações. A familiarização e a alfabetização às novas tecnologias de informação e comunicação tornam-se indespensáveis para uma melhor cidadania num mundo em constante mutação. Estas novas tecnologias, deveriam servir para alunos e professores experienciarem processos de pesquisa, contactos e colaborações com os seus pares espalhados por todo o mundo.

 

Analisando a realidade escolar em que me insiro, procuro identificar neste trabalho os principais factores de resistência à optimização das tecnologias de informação e comunicação na Escola como também identificar vantagens nas novas modalidades de ensino.

É sabido que hoje, o alunos e não os professores são o foco das actividades curriculares. Com base na empatia quase generalizada que os jovens nutrem pelos computadores e novas tecnologias, estas apresentam-se como excelentes meios para que com o apoio dos professores, os alunos escolham em liberdade o seu caminho na busca de informação. Para muitos alunos o recurso a estas tecnologias poderá permitir o reencontro com a Escola bem como a motivação pelos conteúdos aí abordados.

 

Com base na caracterização das dinâmicas de identidade, comunicação e tecnologia que fiz na primeira parte deste trabalho, atrevo-me a sugerir que urge serem implementadas novas lógicas de funcionamento real nas escolas fundamentalmente na direcção do ensino telemático. “É uma questão de consciência. Estamos a adquirir novas aptidões e novas interpretações da presença humana. (…) A cibercepção envolve tecnologia transpessoal e tecnologia de comunicar, partilhar e colaborar, a tecnologia que permite transformar-nos, transferir os nossos pensamentos e transcender os limites dos nossos corpos.”[8]

Por este facto, as tecnologias da informação e comunicação, colocam-nos perante um novo paradigma sobre as novas relações entre aluno/saber/professor. A partir daqui, uma nova reorganização pedagógica dos estabelecimentos de ensino é necessária. Estas transformações, do ensino e aprendizagem, associadas a uma redefinição das atitudes dos alunos e professores perante o saber, situam-se numa perspectiva socioconstrutivista que preconiza estratégias de ensino e aprendizagem, tornando o aluno mais activo na construção dos seus próprios conhecimentos.

 

De acordo com Maria Teresa Gonzales [9], “A escola constitui um filtro que modela as mudanças que vêm do exterior, bloqueando-as ou dinamizando-as … a organização tem um papel crucial na criação de um clima de mudança na resposta à propostas de inovação e na capacidade de auto-renovação.”

 

 

 

IV. Factores de resistência à optimização das tecnologias de informação e comunicação na Escola.

 

“O futuro tem muitos cenários, mas só um será realizado. Já ouve um tempo sem escolas e não sabemos se este tempo regressará. Uma coisa é certa tempos virão em que a sociedade necessitará de outras escolas.”[10]

 

A Escola tem-se preocupado quase exclusivamente em reproduzir o saber e perpetuar a cultura. Por isso fica desfazada quando tem de se adaptar a uma sociedade em mudança, quando tem de formar pessoas para uma cultura renovada.

No momento em que se tentam implementar mudanças em qualquer sistema, é fundamental identificar os tipos de resistência a essas mudanças para melhor serem contrariados. Na Escola, estas resistências são evidentes quer ao nível das atitudes, quer ao nível da aplicação e partilha de conhecimentos.

No que diz respeito às atitudes, identifica-se o conformismo, ou seja é mais fácil fazer as coisas como se aprendeu e como se tem feito do que aprender novos métodos e técnicas de o fazer. Assim, o conformismo é uma atitude natural de rejeitar o que é novo numa determinada actividade. Além desta situação posso referir também a desconfiança de alguns professores a tudo o que ainda não está provado pedagogicamente. Levanta-se também a questão do cumprimento dos programas. Alguns professores não são capazes de utilizar estratégias ou propostas que saiam do âmbito curricular.

 

Outra questão fulcral, é a empatia com a máquina. Alguns professores são bastante receosos perante a tecnologia, talvez por pensarem que a tecnologia os possa um dia substituir. Por fim, a falta de conhecimento generalizada na classe docente no que diz respeito ao potencial das novas tecnologias.

Além das questões humanas, devemos também considerar os factores técnicos, ou seja não basta a escola ter computadores, estar online e os professores compreenderem as capacidades destes recursos. Se faltarem as ferramentas (software/hardware) adequadas, quase nada se poderá fazer.

 

Penso que os orgãos governamentais competentes não têm feito o investimento essencial na sensibilização e formação dos professores. Têm-se limitado a distribuir computadores pelas escolas que acabam por não ser explorados correctamente. Para que certo material informático não caia em desuso, é necessário ensinar os professores a controlarem as operações básicas de um computador, para que este se transforme numa ferramenta útil. Os computadores têm de deixar de ser vistos como simples ajudantes no processamento de textos, ou como simples passatempos. A principal especificidade do computador é como meio de comunicação ou espaço de criação de ferramentas e utensílios (programação).

 

Todas estas mudanças na Escola deverão ocorrer num futuro próximo. Se tal não acontecer, a Escola correrá um sério risco de ser perigosamente marginalizada pela sociedade.

 

 

 

Notas:

 

[1] . Kerckhove, Derrick de, “Global Conflicts – Local Media”; Conferência proferida no Festival Ars Electrónica em Linz, Áustria em Setembro de 2002

 

[2] . Manovich, Lev; “The Language of New Media”; MIT Press, Ed. Março 2001

 

[3] . Levy, Pierre; “Collective Intelligence”, Perseus Press Ed. 2000

 

[4] . Paul Virilio define o termo glocal na sua obra “A Velocidade da Libertação. O termo glocal é também considerado por Lev Manovich em “The Language of New Media”

 

[5] . McLuhan, já em 1987, afirma que: “O media é a mensagem”. Para McLuhan, a verdadeira mensagem de um media são as mudanças que este produz à sua volta. Segundo o pensador canadiano, as sociedades têm sido moldadas mais pelos medias com os quais se comunicam os seus cidadãos do que pelo conteúdo da comunicação. Os media modificam o ambiente e a partir daí suscitam novas percepções sensoriais.

 

[6] . Italo Calvino na sua obra “Seis Propostas para o Próximo Milénio” define certos acontecimentos e ideias como a consequência de uma multiplicidade de causalidades. Neste trabalho, Calvino considera o mundo como “…um “sistema de sistemas”, em que cada sistema individual condiciona os outros e é condicionado por eles.”

 

[7] . Pierre Levy confirma esta concepção de Escola na obra “A Cibercultura”

 

[8] . Ascott, Roy; “A Arquitectura da Cibercepção” in: Giannetti, Claudia; “Ars Telemática”, Relógio D’Água Ed. 1998

 

[9] . in: Nóvoa, António, Coordenação de; “As Organizações Escolares em Análise”; Publicações Dom Quixote, Instituto de Inovação Educacional e Autores, 1992

 

[10] . Nóvoa, António, Coordenação de; “As Organizações Escolares em Análise”; Publicações Dom Quixote, Instituto de Inovação Educacional e Autores, 1992

 

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